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em 07/11/2012

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Como é a vida de um eletricista nos Estados Unidos?


É absolutamente inegável que a segurança das instalações elétricas e, por consequência, das pessoas e do patrimônio, depende muito da mão de obra que executa os serviços. De nada adianta todo o esforço que vem sendo realizado pela busca de normas e regulamentos técnicos atualizados, produtos e tecnologias de ponta, se os profissionais que vão implementar esses recursos forem despreparados.


É extremamente louvável a prescrição da norma regulamentadora NR 10 em relação ao treinamento mínimo das pessoas envolvidas na execução de serviços com eletricidade, mas, conforme se vê adiante neste texto, ainda existe uma longa estrada a ser percorrida neste tema.


Apenas para exemplificar o que ainda temos a fazer, este artigo descreve muito resumidamente os processos de formação, licenciamento e atuação dos eletricistas nos Estados Unidos. Talvez possamos nos inspirar um pouco nessa prática, além de outras também interessantes que existem em outros países europeus.


O resumo do assunto é que a atuação de uma pessoa como eletricista nos Estados Unidos é tratada com a devida seriedade que a função merece, tendo em vista os riscos envolvidos nessa atividade, tanto para o profissional quanto para os usuários e proprietários das instalações elétricas.


Começando pelos requisitos educacionais nos Estados Unidos, de uma forma geral, os candidatos devem ter diplomas do ensino médio ou equivalente, ter pelo menos 18 anos de idade, precisam estar fisicamente aptos, ter bom equilíbrio, coordenação motora e visão das cores. Podem solicitar sua inscrição para se tornarem aprendizes por meio de patrocinadores, que incluem vários sindicatos, organizações e associações nacionais ou estaduais.


Os patrocinadores analisam as notas do aluno no segundo grau, os resultados de testes de aptidão e as experiências de trabalho prévias antes de admiti-los no programa de formação de aprendizes. Os aprendizes também fazem uma entrevista para o programa, um processo semelhante ao de ser contratado para um emprego.


A maioria dos cursos de aprendizes de eletricistas tem a duração de quatro anos e os alunos recebem cerca de 200 horas de instrução em sala de aula por ano sobre princípios de segurança, circuitos elétricos, normalização, leitura de projeto, técnicas de instalação em geral, etc. Além da sala de aula, durante o curso, os aprendizes devem ter, no mínimo, 2.000 horas de treinamentos práticos por ano (8.000 horas durante o curso), no campo, sob a supervisão de eletricistas experientes.


A pessoa que faz o curso como aprendiz é remunerada durante todo o curso pelos patrocinadores, em um processo similar à remuneração de estagiários aqui no Brasil.


Uma vez concluído o curso de aprendiz, o eletricista iniciante deve obter a licença para trabalhar na área. O licenciamento é necessário para eletricistas em quase todos os estados americanos e é válido apenas no estado em que foi obtido. Dessa forma, caso o eletricista queira exercer suas atividades em diferentes estados terá de obter a licença em cada um deles.


Os requisitos para obtenção do licenciamento geralmente incluem a comprovação de um determinado número de horas de sala de aula e atividades práticas, além da realização de um exame escrito.


A fim de manter o licenciamento, a maioria dos Estados exige a comprovação de um número mínimo de horas de cursos de educação continuada a cada ano, bem como periodicamente o profissional deve passar por outro exame.


Em alguns Estados, um eletricista deve completar um programa de bacharel em engenharia elétrica e comprovar experiência de trabalho significativa antes de ganhar uma licença como “mestre-eletricista”.


As licenças são comumente classificadas por tipo de trabalho elétrico e/ou por nível de experiência, tal como iniciante, assistente, mestre-eletricista, etc.


Há diversas associações e entidades que oferecem cursos e treinamentos que resultam em certificações profissionais que demonstram conhecimento e habilidade acumulados de um eletricista, o que pode aumentar as oportunidades de emprego e progresso na carreira.


Segundo dados do Departamento do Trabalho do governo federal americano, equivalente ao nosso Ministério do Trabalho, é esperado um aumento de 12% no número de vagas de eletricistas nos Estados Unidos entre 2008 e 2018.


A mesma fonte informa que, em 2010, o salário médio mensal para eletricistas foi de 


US$ 4.317, sendo que cerca de 10% dos eletricistas ganharam até US$ 6.740 por mês, enquanto que outros 10% ganharam, no máximo, US$ 2.450.


Terminada esta breve apresentação, fica aqui a sugestão para que façamos a comparação da formação de um eletricista que atua nos Estados Unidos com a formação de um eletricista que atua no Brasil. Pode ser uma boa oportunidade para uma reflexão profunda sobre o tema. Melhorar a qualificação profissional dos eletricistas terá um impacto direto, sem escalas, sobre a segurança das instalações elétricas.


A má notícia é que temos muito ainda por fazer. Mas a boa notícia é que podemos fazer muita coisa ainda. Mãos à obra!


Por Hilton Moreno 


Fonte: Revista "O SETOR ELÉTRICO"ed. 78, julho de 2012, pág.182 e 183.

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